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Tuesday, December 12, 2006

Varrendo as baratas

depois de uma licensa necessária para conseguir acabar a época de avaliações nas faculdades, temos que colocar esse blog de volta à ativa.

então nada melhor do que uma reflexão sobre a música em 2006, ano que está já quase que nem o pinochet; é tipo o fidel. bem, no todo eu diria que o ano foi, em matéria de música, muito bom. principalmente no que diz respeito a artistas antigos, como o TV on the Radio, Neil Young, Bob Dylan e, como vocês entenderão mais pra baixo, Magnolia Electric Co. todos esses artistas lançaram discos muito bons, e conseguiram prolongar a sua discografia - às vezes bem extensa, às vezes nem tanto, mas sempre boa.

no entanto, considerando disco por disco, não houve esse ano uma obra prima de verdade. nenhum dos grandes discos do ano tiveram aquela genialidade necessária para se tornar um verdadeiro "disco do ano"; não são como foram The Soft Bulletin, ou o Yankee Hotel Foxtrot ou até mesmo o Funeral, que foram discos que realmente marcaram o ano, e a vida daqueles que tiveram o prazer de escutá-los. então, para quem aprecia uma média, matemática, exata e fria, foi sim um ano bom; mas para quem prioriza um surto de genialidade, mesmo que fugaz temporalmente, mas que é em sua amplitude, eterno, esse ano foi fraco.

é claro que tudo isso pode ser revertido, se prestarmos um pouco de atenção a mais num disco que parece numa primeira ouvida obscuro, esquisito, e que foi colocado de lado desde o seu lançamento. estou falando do Fading Trais, o disco lançado esse ano pelo Magnolia Electric Co. - a banda que continua os passos do ex-Songs:ohia Jason Molina. o disco é foda... o que mais posso dizer? ele é meio desengonçado, mas acerta na beleza de suas conções e arranjos displicentemente perfeitos. tenho uma grande impressão que ele vai salvar o ano de 2006. vai trazer para esse ano bom, mas bonitinnho demais, um pouco de genialidade emocional, que não se preocupa com formas, ou fórmulas, mas só com a beleza e a música em si. pode-se pedir mais?



Magnolia Electric Co. - Fading Trails

por Arthur

Tuesday, October 31, 2006

Tim Festival de VERDADE



A caravana se encontrou na paulista, às 11 da matina. Eu, Arthur e Rolla embarcamos na Parati sem calotas e partimos. O trânsito na marginal indicava uma viagem longa e exaustiva. Nada que um iPod, um jornal com o então candidato Lula derrubando um copo na capa e um maço de cigarros não possa combater. Saindo de São Paulo a estrada se estendeu livre e ensolarada na nossa frente. Trocando de disco e de paisagem, fomos cruzando o asfalto em direção à cidade maravilhosa. Algumas da estrada: vontade de ir ao banheiro fudida – na única parada, para abastecer, o banheiro do pico era o típico banheiro mais sujo da estrada, as privadas eram buracos no chão, pesadelo para quem estava com o nº 2 na cabeça – depois, chegando perto de Aparecida, você se vê no caminho para a luz – placas avisavam a quilometragem para a Fé, depois para a Benção, e para Paz. Chegando no Rio discutimos sobre qual caminho pegar, o Rolla, que se diz carioca, mas é paulista até os ossos, queria ir pela linha vermelha, o Arthur queria a Av. Brasil e eu só queria um banheiro. Bom, erramos uma entrada e paramos na Av. Brasil, só que no sentido errado, após um retorno seguimos as placas Copacabana e de lá atingimos o destino: Leblon. Só faltava uma Bossa e globais para nos receber. Pulando a baboseira, pegamos uma carona com o tio do Rolla até a Marina da Glória, lugar que hospedou o festival nesse ano. Ao sair do carro a ansiedade batia forte, mas antes de entrar tínhamos que tentar vender o ingresso do IRIOTA do Celo que deu pra trás e não foi. Nenhum cambista queria o ingresso, só se interessavam pelo Daft Punk. Encontramos, porém, uma mina que gritava por ingressos, do Daft, é claro, mas colamos nela com o ingresso do Devendra e ela acabou comprando. A estrutura do festival era impressionante, muito maior que a do ano anterior. Entramos e fomos para o Tim Lab, onde iria rolar Céu, Amadou e Mariam e Devendra Banhart. Encontramos uma galera lá, Six, Dago, Fê, Gui, a Lulina, o Emo, o Bruno, rolou até piadinha “tenda Milo no Tim”. Começando a Céu saímos e ficamos bebendo lá fora. Então colamos o ouvido na tenda ao lado, e sim Celo, o Daft Punk estava destruindo. Confesso que depois me arrependi até, mas isso é outra coisa. Entramos para ver o Amadou e Mariam, foi foda, o casal de ceguinhos era muito foda. Ali paradinhos um do lado do outro, lindo. Sem falar que o cara toca guitarra pra carai, pegada fudida! Novamente lá fora, fiquei louco ao ver que o cabeça de pêlo (aka Kyp Malone, aka guitarrista do TV on the Radio) perambulava por lá, assim como o Devendra e sua banda e Caetano Veloso. É, o Celo perdeu a noite da vida dele, tiete de qualquer famoso, ele ficaria maluco lá. Voltamos para o show da noite: Devendra Banhart. Exaustos – já passava das três da manha – vimos o barbudo subir ao palco desanimado. O show foi bonito e ponto, nada demais. Ahhhh! Não podia me esquecer do ponto alto da noite: meio que dormindo em pé, senti que alguém dançava loucamente do meu lado, mas dançava como se jogasse as máscaras pro alto e assumisse a franga....quem? quem? O próprio Caetano. Dançou, dançou e saiu correndo pulando pra cá e pra lá...o Celo iria adorar, logo pensei. No sábado, acordei no puff da sala com uma puta fome, beleza, tínhamos marcado um mexicano com a galera e lá fomos. O restaurante era fudido, você pagava X e comia a vontade. Além do fato que você próprio montava seus tacos e buritos, e comer uma coisa que você monta é muito mais prazeroso, vai saber por que? Após um almoço com pimenta e artistas, sim fomos acompanhados por Pedro, do Bonde do role, e pelo DJ Jason Forrest, que tocou no “Tim balada”, fomos tomar um café com Dago e Ana Júlia. Ficamos horas lá ouvindo histórias sobre a Bolívia e outras viagens malucas que o Sr. Donato já fez. Voltamos pra casa e blá... pegamos um táxi e partimos para o segundo dia de festival loucos para ver o TV on the Radio! Chegando lá vendemos o ingresso do IRIOTA que não foi para um cambista logo na saída do táxi. Entrando na Marina trombamos o Dago na correria dizendo que o Bonde já tinha começado. Corremos e entramos. Bonde do Role. O show foi foda, pena que estava vazio, mas quem viu curtiu e dançou. “James Bond pega o bonde, vai pra onde eu não sei”. O ponto máximo do show foi essa música, quando o Pedro saiu do palco e foi carregado nas costas do DJ Jason (aquele do almoço) pela pista do Tim Lab, doidera. Saímos para beber antes do TV, conheci finalmente a Ingrid, uma carioca que curte o projeto:, falo com ela todo dia no msn. Então, no meio da conversa percebemos que o show já ia começar, corremos feito loucos e nos posicionamos na boca do palco. Eles entraram e o show foi rolando com um som meio estranho, até que o saxofonista, com um portunhol bem falado explicou que a American Airlines perdeu o equipamento da banda, e que eles tiveram que comprar algumas coisas naquela manha e pegar emprestado da outra banda, o Thievery Corporation. Isso me impressionou, os caras fizeram um show FUDIDO com condições adversas. Não senti falta de nenhuma música, apesar de querer um show maior. O vocalista é muito style, canta pra caralho e tem uma presença de palco absurda, dançava pra lá e pra cá com movimentos malucos nas mãos. Mas o cabeça de pêlo...Meu deeeus... esse sim! O mais foda de todos. Tocou com corda estourada e tudo...FODA. Perdi a voz cantando junto. O Thievery Corporation foi uma merda, voltamos pra casa. Desta vez acordei num edredom na sala, fomos justificar o voto, caralho, os cariocas votam em bancos!!! Depois de prestar contas com o Estado fomos para a praia, a do Leblon mesmo, sentamos e bebemos com o tio do Rolla, sua namorada e duas amigas dela. Paz total, a praia fez um bem danado. Voltamos pra casa, nos preparamos e fomos jantar num pico ali perto. Bem alimentados voltamos para casa e jogamos videogame até a hora de ir para o show. Tim Stage, finalmente. O Instituto tava massa, mas preferimos ficar bebendo lá fora. Voltamos para ver o DJ Shadow. Foi foda, o cara manda bem. Particularmente achei curto e não curti as projeções, mas foi legal o show. Bem, estava chegando a tão esperada hora...The Beastie Boys motherfuckers! Bebemos o nosso último chopp (3 por doze, era um combo) e fomos para a frente. A expectativa explodiu quando os roadies colocaram uma bateria ao lado do palco...sim, eles vão tocar como antigamente, pensei. As luzes se apagaram e Mix Master Mike subiu de camisa e gravata nas picapes. Ele manda absurdos! Melhor DJ que eu já vi tocando ao vivo. E ai, com as batidas de Master Mike, entraram pulando com ternos e gravatas Ad Rock, Mike D e MCA. Logo no primeiro verso a galera explodiu e o resultado foi uma rodinha cabulosa e mosh pra todo lado. Eu, que curto um empurra-empurra pulei feito louco e por diversas vezes voei para a roda chutando tudo. Clássicos como Do It, Root Down, Brass Monkey, Body Movin e Intergalactic embalaram a galera que fervia na tenda. Mas o melhor estava por vir. Tiraram as capas da batera e dos amplis. Meus braços se arrepiaram e eu sentia a violência corroer minhas veias. Duas músicas, apenas duas, mas a última.....”this’s our last song, and it’s call SABOTAGE”.......... sacou Celo? Beastie Boys porra! Só mais uma da estrada, cruzamos com um batalhão do exército carregando canhões malvados pela estrada...meda!


Para aqueles que não foram...vocês veriam o show exatamente assim.

Por Pedro

Friday, July 07, 2006

O último


Integridade de quem correu atrás da vida e bateu nela. Esse é o legado de Johnny Cash. Assim ele se mostrou ao mundo. Depois de 50 anos de música, as últimas notas que o Men in Black gravou no seu estúdio foram reunidas no que o produtor Rick Rubin chamou de “the final statement”. American V: A Hundred Highways saiu na terça feira e quem ouviu gostou. Afinal é Cash. Seguindo a linha da série American, esse disco traz covers e músicas de autoria de Johnny. A voz, inconfundível, aparece cansada, mas com o impacto de sempre. É impossível não acreditar no que Johnny Cash canta. Mesmo porque, além da voz, ele tinha o dom de transformar qualquer cover em música própria. Não acredita? Então escuta que você vai ver só. Bom taí a dica da semana, e pra mim não tem TV on the Radio nem Islands, o melhor disco do ano é de Johnny Cash.
ps: pra ouvir um pouco http://www.myspace.com/johnnycash

Por Pedro

Como começar um blog

parece sempre difícil escolher um caminho para dar vida a um blog como este. nunca se sabe exatamente o que dizer, ou contar, explicar; fica sempre a questão de parecer inovador, mas sem precisar necessariamente se utilizar de uma forma radical demais.

então vejamos: eu poderia escrever aqui sobre alguma novidade musical recente... falar de como o Return to the sea do Islands vai ser provavelmente o disco do ano ou como o novo disco do TV on the Radio também tem tudo para ficar para a História. mas, fazendo isso simplesmente nos tornamos um quero-ser-pitchfork (com todo respeito a eles, é claro...) que repete frasezinhas prontas sobre questões lógicas (é lógico que o Return... vai ser o disco do ano...) sem adicionar nada de novo a isso.

certo, poder-se-ia começar então contando da noite história que foi a de ontem na milo garage, com direito a um show inesquecível do Totonho e os Cabra, uma discotecagem incrível do Centro Cultural Batidão e o Bonde do Rolê colocando a garagem a baixo... que noite... mas assim as pessoas que nos lêem poderiam se chatear com uma descrição dessas à la Álvaro e provavelmente não nos leriam mais... compreensível eu penso, porque realmente não tem nada mais chato do que alguém se mostrar logo de cara com a pretensão de se fazer invejar por ter participado de uma noite tão marcante. péssimo começo, eu diria...

então temos uma terceira opção, que seria a de compartilhar com os leitores uma grande paixão musical minha: Jens Lekman - um cantor sueco que desistiu da música para trabalhar em um bingo, mas logo percebebeu que o forte dele era realmente fazer músicas lindas e ingênuas sobre as mulheres da sua vida, com as quais se apaixonou em passeatas anti-guerra, fumou charutos do pai ou simplesmente foi preso por pintar um palavrão no caro do pai dela e, na cadeia, usar sua única ligação telefônica para dedicar a ela uma música no rádio... mas eu não sei... talvez seja uma abertura emocional muito grande para um começo de blog, afinal, não queremos parecer muito emotivos, não é mesmo? se não iríamos logo para a galeria do rock e pronto...

certo... como então deve-se começar um blog? pergunta difícil, com certeza, para a qual não há necessariamente uma resposta certa - só o bom senso... por isso eu proponho que comecemos esse blog como se deveria começar todas as boas coisas da vida: com "Race for the prize" dos Lips...

Por Arthur